
Após dedicar quase 30 anos de sua vida à medicina veterinária, à reprodução animal e à reprodução assistida em seres humanos, Ana Suarez entrou em colapso mental e físico. Nessa época já havia se mudado com o marido e a filha para Munique, na Alemanha, em busca de mais segurança para criar sua família. Decidiu, então com a ajuda de profissionais especializados em saúde mental, dar um intervalo na carreira, o que virou, pouco tempo depois, uma decisão definitiva. Buscando um novo propósito de vida, fez muitos cursos livres, até se deparar com uma mentoria que a orientaram a escrever. Ana gostou da “brincadeira”, que se transformou em uma missão de vida.
Hoje, vivendo em Lucerna, na Suíça, Ana se considera uma escritora. Seu primeiro livro publicado foi o infanto-juvenil “Liga da Identidade”. A segunda obra é a primeira parte de sua autobiografia, intitulada “Minha história escrita à mão: eu sou”. Nela, a autora volta-se para dentro para refazer as pegadas que lhe fizeram chegar até onde se encontra hoje e nesse processo revela histórias que devem servir de inspiração a todos aqueles que desejam experimentar o novo, mas têm medo de tentar. Para isso, não se furta a empregar uma escrita leve, simples e direta, cuja mensagem seja de fácil captação a todos.
No primeiro volume de sua autobiografia, Ana abarca um período que vai de seu nascimento até a primeira vez que viaja ao exterior, um pouco antes de terminar a faculdade, para fazer um estágio na França. O livro é recheado de episódios em que a escritora mostra a sua determinação para perseverar nas dificuldades enfrentadas pelo caminho e conquistar todos os objetivos que almejou.
No início da obra, ficamos sabendo que a autora nasceu em uma pequena cidade de Goiás, chamada Ipameri, em 1974, e que se mudou ainda bebê para Anápolis, também em Goiás, onde passou sua infância e começo da adolescência. Logo depois, a autora conta as primeiras lembranças de criança: a casa simples onde morava, com a avó materna, uma tia, um tio e sua gata chamada Bu. Descreve também o encontro, aos três anos de idade, com sua primeira amiga, que se tornou sua BFF (best friend forever).
Nos capítulos que se seguem, a escritora relata quando se mudou com a família inteira para uma nova moradia e descreve um pouco de sua rotina de brincadeiras no grande quintal da casa. A principal delas era jogar mamonas via canudinho nas “carolas” que iam rezar o terço na Igreja. Foi nesse grande quintal que Ana decidiu se tornar veterinária. Ela tentava fazer cirurgias nas rolinhas que caíam no quintal atingidas pelas balas de chumbinho atiradas pelos meninos da vizinhança. Em uma ocasião, foi bem-sucedida na “intervenção cirúrgica”, o que foi suficiente para que a ideia de ser veterinária se cristalizasse. “Eu experimentei o sucesso. Nesse dia resolvi ser veterinária ‘de passarinhos’ ”, relata.
O Natal em família, com a presença de uma tia que lhe dava livros e que acendeu o amor de Ana pela literatura também é ressaltado no livro, da mesma forma que o início da vida escolar. No primeiro dia de aula, a autora relata um episódio que lhe marcou pela vida inteira: sua mãe de mãos dadas com ela dizendo-lhe: “Ana Angélica, hoje começa uma fase nova e muito importante da sua vida. Você tem que se dedicar aos estudos e um dia entrar em uma faculdade, para não precisar costurar como eu. Você tem que ser muito boa para entrar em uma faculdade pública, porque mamãe não vai conseguir pagar uma faculdade particular para você”.
Criada por uma mãe solo, Ana muitas vezes se deparou com questionamentos sobre seu pai. No livro, descreve uma situação curiosa a respeito, que, coincidentemente, foi o prenúncio de algo que a seguiria por boa parte de sua vida. Certa vez, na escola, relata Ana em uma passagem da obra, indagada pela professora sobre a profissão do pai, disse que só tinha mãe e que era de proveta - termo retirado de notícias que ouviu no rádio. O curioso é que anos depois, Ana foi trabalhar com reprodução assistida em humanos, fazendo carreira.

Ana Suarez é CEO da Editora Flow, escritora
e mentora de escritores
A importante relação da autora com Deus, uma nova mudança de casa, dessa vez para morar só com sua mãe, e o encontro com a “turma da rua” têm importante enfoque no livro, assim como o seu encontro com o pai, em uma das passagens mais emocionantes da primeira parte de sua autobiografia. Um dia, voltando da escola, Ana avistou ao lado da mãe “um senhor, quase calvo, mais para gordo do que para magro. Usava óculos e era de baixa estatura”. Ele pediu que ela se sentasse no colo e ordenou que lhe chamasse de pai. Depois lhe deu algumas moedas para que comprasse balas, as quais não aceitou. Disse que voltaria em outra ocasião e nunca mais apareceu. “O que senti quando vi meu pai? Primeiro, fiquei surpresa. Em seguida, confusa. Depois, senti indiferença. Talvez por tentar me proteger ou por não saber o que fazer com aquela informação toda. Afinal, não sabia o que era ter pai e ainda não tinha me dado conta da importância de ter um”, relata.
A autora faz questão de mencionar em sua obra a infância repleta de brincadeiras e de muito estudo, que atrapalhou um pouco seus namoros de adolescência, afinal de contas, diz: “Eu deveria dedicar minha vida aos estudos para ganhar o mundo e nunca depender de ninguém”. Nessa parte, a escritora destaca a importância de os pais terem conversas francas com seus filhos sobre namoro e sexo, como não aconteceu com ela. “Conversas com minha mãe sobre isso sempre eram tabus e eu tive que lidar com várias crenças limitantes a respeito do tema”, afirma a autora, enfatizando que “não funciona educar os filhos através do medo e de ameaças”.
Os últimos capítulos da autobiografia são destinados a temas como vestibular, carreira e coisas afins. Ela relata, então, a dedicação exclusiva aos estudos que cobrou um pequeno preço à sua saúde, mas que acabou dando certo: em 1991, aos 17 anos de idade, foi aprovada na Universidade Federal de Goiás, para cursar Medicina Veterinária. Mais ou menos nessa época, soube da morte do pai e narra o doloroso processo do inventário, que resultou no uso do sobrenome do seu pai, Soares - que virou Suarez em sua carreira como escritora - e em um apartamento onde sua mãe foi morar.
A vida universitária, em Goiás - para onde se mudou com a mãe - também marcada por muitos estudos e poucas festas, o início do primeiro namoro sério, que durou sete anos, e a descoberta de um nódulo, até então benigno, na tireoide, são mencionados na parte final da obra. O antepenúltimo e o penúltimo capítulo da primeira parte da autobiografia tratam da decisão da mãe de Ana para que a filha fizesse um estágio na França e de sua conversa, no Congresso Internacional de Belo Horizonte, com um dos maiores ícones da reprodução animal do mundo, cujo laboratório ficava nos arredores de Paris. “Este senhor, tão famoso e influente, ofereceu-me um estágio com ele, por eu ter tido coragem, durante a pausa das palestras, de abordá-lo”, diz.
As últimas páginas do livro tratam da partida de Ana para a França. “Consigo me lembrar dos mínimos detalhes daquele dia. Era setembro de 1996. Abracei minha mãe, fazendo-me de forte e não querendo chorar. Disse tchau e atravessei o portão de embarque”, relata. Dentro do avião, narra a autora, quando se deu conta do desconhecido que a esperava, começou a chorar: um misto de alegria, medo, gratidão e orgulho. Ao aproximar-se de Paris, avistando com mais exatidão a geografia da cidade, percebe que o sonho se tornava mais concreto. A frase final da obra, proferida assim que o avião aterrissa em Paris, ao mesmo tempo que põe final a primeira parte da autobiografia, dá uma mostra do que aguarda o leitor no próximo volume. “Tomei coragem e me levantei da minha poltrona, para começar uma das maiores aventuras que já vivi”.
Sobre a autora
Nascida em Ipameri (GO), Ana Suarez ganhou o mundo. Depois de morar na França e na Alemanha, fixou residência em Lucerna, na Suíça, onde vive com o marido e a filha. Formada em Medicina Veterinária, mestre em Reprodução Animal e doutora em Biotecnologia, fez sua transição de carreira em abril de 2020, tornando-se escritora. Hoje tem cinco livros publicados. É também proprietária da Editora Flow, especializada em livros motivacionais.

Ficha técnica:
Livro: Minha história escrita à mão – eu sou
Editora : Editora Flow (2 junho 2023)
Idioma : Português
Capa comum : 137 páginas
ISBN-10 : 6599611141
ISBN-13 : 978-6599611148
Dimensões : 14 x 0.81 x 21 cm
Mín. 19° Máx. 30°