Nossa realidade parece cada vez mais caótica. Descobertas cientificas, colapsos ambientais, conflitos políticos, avanço tecnológico e movimentação social, tudo acontece ao mesmo tempo. É praticamente impossível está atualizado com o ritmo frenético do mundo sem se sentir soterrado pela mídia.
O consumo de referências se baseia na experiência virtual e naquilo que os algoritmos nos apresentam de forma massiva em anúncios e nas redes sociais (pinterest, instagram, tiktok, youtube). Ou seja, nossa criação de repertório de estética e intelectual é construída a partir daquilo que absorvemos em tempo real na internet com as trends, influenciadores e conteúdo direcionado para nosso perfil. Enfim, a sociedade cronicamente on-line e as bolhas digitais.
Dentre todos os fatores técnicos da mobilidade advinda do processo de globalização, o transporte da informação ganha uma função ímpar, já que a comunicação não envolve mais o movimento de corpos físicos, e meios técnicos concederam à informação viajar independentemente deles sem a tradicional noção de tempo e espaço, e em uma nova velocidade (BAUMAN, 1999, p. 26).
As tendências nascem como um reflexo da identificação. As pessoas se adaptam as tendências pelas quais se interessam e ignoram as que parecem distantes da sua zona de conforto. Dessa forma, a bagagem cultural de cada um ficam restritas as informações que são selecionadas para atender aos seus gostos pessoais, essas circunstâncias garantem uma experiência agradável no uso de aparelhos digitais. Qual o problema com isso?
Se ao rolar a tela nos deparamos apenas com o que é definido especificamente para o público-alvo do qual fazemos parte, tendo os nossos desejos antecipados pelos nossos rastros digitais, o que acontece com o que é diferente? Quem decide o que é legal ou não?
Coolhunters ou curadores são, a princípio, olheiros treinados para selecionar artistas, obras e produtos com potencial de crescimento. Eles basicamente mergulham num mar de informações para por os holofotes naquilo que consideram as melhores apostas. De início, o termo curador só era associado a profissionais que trabalhavam para exposições em museus e galerias, os coolhunters (caçadores) também existem no ramo da moda onde são enviados para as ruas para analisar padrões de vestimenta que valem a pena ser reproduzidos, antes que eles se tornem virais.
No entanto, a curadoria se expandiu a todo tipo de nicho (filmes, livros, vídeos e matérias), servindo na prática como um filtro ou uma peneira para separar o que há de bom e belo no excesso de conteúdo na internet.
A essência da função de curador se baseia no poder da autenticidade e da influência. Curadoria é mais do que listar um compilado de coisas compartilháveis (como muitas vezes vemos em algumas newsletters e vídeos de favoritos do mês, ainda que esse seja um material válido e fácil de acompanhar. Um curador pode ser um influenciador, mas nem todo influenciador é um curador.
O trabalho exige um olhar atento para os detalhes, pesquisa ativa, senso crítico e coerência para produzir um material que apresente uma visão que expresse o bom gosto do curador e que, vez após vez, cative o público. O curador é um mediador entre a cultura e o povo, criando uma ponte para ambos por meio do desenvolvimento de uma narrativa significativa e consistente.