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Infância antes das telas ganha registro em memórias de autor mineiro
Em “Minhas Memórias Afetivas”, Luís Augusto de Rezende Pena faz um cortejo da própria realidade para reconstruir a lembrança coletiva de um tempo em que sociabilidade não era ditada por algoritmos
21/09/2026 13h02
Por: Redação Fonte: LC - Agência de Comunicação
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Antes de smartphones, redes sociais e plataformas digitais transformarem a maneira como as pessoas se comunicam e se relacionam, o cotidiano era habitado pela presença. Os vínculos se formavam a partir de brincadeiras na rua, com pipas, pique-esconde e carrinho de rolimã. É essa atmosfera nostálgica que o promotor de justiça Luís Augusto de Rezende Pena recupera ao revisitar a própria trajetória de vida no livro Em Minhas Memórias Afetivas.

A obra percorre a infância e a adolescência do autor em Ouro Branco, Minas Gerais, nos anos 80, por meio de relatos que vão da rotina familiar às amizades construídas na vizinhança e na escola. O retrato construído no livro, porém, não se limita às brincadeiras. A convivência aparece como elemento central na formação de pertencimento que atravessa a narrativa e formou uma geração.  

"Esse estado psíquico conflitante, entre passado, presente e futuro, essa 'crise cinquentenária', então, parece ter me remetido à necessidade de 'retroceder' no tempo. Talvez, possa ser, não só como quimérica tentativa de me manter distante da deterioração ordinária da vida, mas também de perenizar as boas experiências vividas e, de modo muito especial, obviamente, as pessoas que por mim passaram e que fizeram de mim o que sou como ser humano" (Em Minhas Memórias Afetivas, p.12) 

A passagem do tempo dá ainda outro sentido ao exercício de recordar. A própria história de sua mãe, dona Antônia, atravessa esse esforço de preservação. Entre as lembranças está o “Café das Três”, encontro que reunia regularmente amigas em sua casa, entre conversas e quitandas.  Com o declínio da saúde dela, uma das poucas memórias permaneceram foi justamente a saudade daqueles momentos. 

As vivências mostram como uma determinada forma de viver produzia referências e enlaces. O reencontro de antigos amigos em 2024, por exemplo, evidencia como vínculos construídos naquele período continuaram atravessando o tempo. Ao colocar lado a lado uma realidade marcada pela presença física e o modo contemporâneo de estabelecer relações, a obra amplia a discussão para além da nostalgia.  

Trata-se de um registro de uma conjuntura social em que a descoberta do mundo, as trocas e o próprio desenvolvimento aconteciam sem mediações. Ao revisitar essa experiência, Minhas Memórias Afetivas transforma narrativas particulares em uma forma de convivência universal, que marcou toda uma geração — e convida leitores a reconhecer, nas histórias de Luís, fragmentos de suas próprias lembranças. 

Ficha Técnica: 

Título do livro: Minhas Memórias Afetivas 

Autor: Luís Augusto de Rezende Pena 

Editora: Dialética 

ISBN/ASIN: 978-65-274-1434-6 

Páginas: 288 

Preço: R$81,90 

Onde comprar: Dialética 

Sobre o autor: Luís Augusto de Rezende Pena é bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Conselheiro Lafaiete/MG, Promotor de Justiça do Estado de Minas Gerais e, atualmente, é titular da 6ª Promotoria de Justiça de Sete Lagoas/MG. Autor de Con Te Partirò.
Instagram: @larp1974